Você já aprendeu a dividir suas vitórias com a equipe?

Uma das maiores virtudes de um líder é saber reconhecer a importância do grupo para a concretização de seus objetivos

Pablo de Paula

O Egito é um lugar que fascina a humanidade. Suas construções, obras e cultura são inigualáveis e representam a excelência do homem em muitos aspectos tecnológicos, sociais e criativos. Pense comigo: existe algum monumento no mundo que seja mais extraordinário que as pirâmides? Certamente que não, pois elas demonstram a superioridade de um povo inovador, culto e piamente ousado que fazia tudo de forma planejada e inteligente.

Os camponeses, os escravos, os soldados, os sacerdotes, os nobres, a família real e a esfera intermediária formavam a classe social egípcia, de modo que o faraó era a criatura mais dominante de todo o terreno e dava as cartas conforme seus desejos e necessidades. Mas, não se engane: ele era como um deus supremo nessa época, tanto que várias simbologias e nomenclaturas divinizadas lhe eram concedidas, como: Horo, Amon-Rá e Osíris. Tendo como base mor a agricultura, ele controlava facilmente a economia explorando os camponeses e os escravos que ostentavam uma remuneração irrisória, muitas tarefas penosas e nenhum reconhecimento pelos laboriosos ofícios executados.

Além dessa dura e triste realidade, eles também viviam em ambientes extremamente insalubres, cercados de animais e outros bichos que lhes transmitiam inúmeras doenças e inquietações. Como se não bastassem todas essas atrocidades praticadas, ainda tinham que honrar inumeráveis impostos (abusivos) que sugavam todas as suas forças econômicas e braçais. Em outras palavras, eles possuíam uma existência cruel e indigna, porquanto os donos do poder se aproveitavam de suas fraquezas para ridicularizá-los e humilhá-los constantemente.

Ora, é muito comovente perceber que no meio de uma civilização tão fantástica e colossal haviam tantas desigualdades e injúrias que obrigavam os menos favorecidos a sofrerem com a ignorância daqueles que pensavam apenas em si mesmos. No entanto, a constelação egípcia fora erigida exatamente dessa forma: com abusos, explorações e cenários vastamente perniciosos. Usando letras diferentes, precisamos saber que em um lugar onde mitológicas esculturas foram levantadas ocorreu um dos maiores desastres da história humana, manchando a genialidade e o talento dos executores da época com sangue, suor e lágrimas de gente puramente inocente e imaculadamente santa.

Sejamos integralmente sinceros: de que adianta criar algo fenomenal e raro se as pessoas que ajudaram na construção do referido castelo são vergonhosamente excluídas e rejeitadas simultaneamente? Infelizmente, foi isso que aconteceu no lendário e imperial Egito: os “sublimes reis” eram tão soberbos e mesquinhos que não souberam dividir suas glórias com seus companheiros de trabalho, utilizando-se de artimanhas endiabradas e maléficas para satisfazerem seus cobiçosos e insaciáveis desejos pessoais.

Portanto, as pirâmides, a cerveja, o jogo de damas, o creme dental, a mumificação, o obelisco, as esfinges, os templos, ou qualquer outra criação egípcia titânica e monumental é fruto da consciência humana e de sua singular capacidade criativa, porém é paradoxalmente um retrato negro da escravidão das castas mais singelas que viveram nessa lúdica e trevosa época.

Como dar valor ao plantel e fortalece-lo por meio de atitudes sábias e sensatas

Como mentor, você tem que conquistar a confiança das pessoas. Por isso, você precisa sempre as tratar com muito respeito, compromisso, honestidade e ética, procurando fazer com que exista uma relação harmônica e entrosada entre vocês. Lamentavelmente, muitos gestores têm dificuldades de criar um elo positivo com os seus liderados, dado que ostentam hábitos que afastam as pessoas ao invés de aproximá-las.

Para compreender a essência dessa crucial questão, pense que alguns líderes não sabem fazer elogios quando um bom trabalho é finalizado, não gostam e não querem ouvir opiniões divergentes, vivem falando uma coisa e praticando outra, não conhecem as necessidades e as intensões pessoais dos seus singelos pupilos, demitem/contratam sob critérios incoerentes e estranhos, são pouco receptivos para abraçarem os problemas cotidianos, sejam eles quais forem, não sabem entusiasmar-se e motivar os outros, quase nunca se atualizam porque apreciam a falta de inventividade (acomodação) e mais grave ainda do que todas essas coisas externadas até agora: amam manipular e dominar os outros por intermédio da descomunal força que possuem (social, material etc.).

Já vivenciei isso na pele por numerosas vezes. Em minha trilha profissional já conquistei muitos clientes, implantei muitos projetos, salvei alegóricas catástrofes e por infinitas vezes não fui plausivelmente recompensado. A razão para essa nefasta ação é extremamente simples: eu tive alguns chefes imorais e individualistas que viviam tão somente para os seus indubitáveis egos. Sabemos que liderar é simplesmente levar os outros a realizarem o objetivo áureo da organização com total vontade e satisfação, de modo que todos se unam integralmente na busca da meta gerada pelo supracitado líder. Certamente, nenhum comandante conseguirá implantar isso na mente dos seus soldados sem antes gozar de uma boa credibilidade e reputação com eles.

Não duvide: um homem de caráter forte é o único que pode convencer seus semelhantes, pois agirá constantemente pelos seus princípios, crenças e valores, fazendo com que todos a sua volta sejam tratados de forma digna, honrada e tipicamente especial. Em outros termos, para que uma criatura consiga influenciar as outras ela deve se sacrificar regularmente por elas, isto é, ela deve servi-las.

Então, a construção de uma gestão de alta performance passa primeiramente pela capacidade de relacionamentos que o mentor possui, de forma que o mesmo saiba como ser autêntico, leal, humilde, abnegado, bondoso e generoso sem deixar de lado os imprescindíveis alvos da empresa. Por conseguinte, a faculdade de trocar a própria necessidade pela do semelhante faz o líder pairar as linhas mágicas da perfeição, visto que “crava” na cabeça de seus pupilos a real ideia de que eles são verdadeiramente importantes para a inoxidável organização.

Como administrador, aprendi com a maravilhosa “escola de Hawthorne” que as pessoas precisam de afeto e atenção para que possam render o máximo de suas forças. Decerto, se o caminho traçado for o inverso elas não conseguirão atingir os objetivos elaborados pela cúpula e consequentemente todos sairão perdendo: os clientes, os fornecedores, os colaboradores e, principalmente, os diretores.

No livro “Aforismos”, do renomado escritor irlandês Oscar Wilde, tem um frase se encaixa magnificamente nessa esplêndida reflexão: “Os sistemas que fracassam são aqueles que se baseiam na permanência da natureza humana e não no seu crescimento e desenvolvimento.” Essa bela racionalização quer dizer apenas uma coisa: o mundo evolui drasticamente e precisamos nos adaptar rapidamente a essas transformações para podermos sobreviver a elas com garra e total sapiência.

À vista disso, aprenda a dividir seus tesouros com a trupe para que todos se sintam parte fundamental da engrenagem organizacional, fazendo com que o talento dos cooperadores seja tão importante quanto o inestimável lucro.

Fonte: Administradores.com.br
Link: http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/voce-ja-aprendeu-a-dividir-suas-vitorias-com-a-equipe/94216/