Teletrabalho: tabu ou questão sociocultural?

Pelo mundo afora, principalmente em relação aos negócios cujo principal ativo é o capital intelectual humano, o teletrabalho tem se revelado um forte aliado da alavancagem competitiva das empresas.

Pedro Papastawridis

Após um dia de muita chuva em vários pontos do Rio de Janeiro, onde a já caótica mobilidade urbana se soma aos inúmeros canteiros de obras olímpicas e bolsões d’água, eis que um tema se revela oportuno e conveniente de ser debatido: o teletrabalho, ou home office, para que os preferem a verborragia estrangeira ao idioma de Camões, Fernando Pessoa e Machado de Assis.

Para muitos, o teletrabalho ainda é um tabu. Para outros, trata-se de uma questão sociocultural típica de um contexto ambiental como o brasileiro, em que ainda prevalece em muitas organizações a ótica mecanicista, voltada para a tarefa e para o controle pelo controle. Somando a essas duas vertentes a ausência de políticas públicas que fomentem a prática do trabalho à distância nas organizações, o teletrabalho acaba se tornando um “privilégio” para poucos num país de dimensões e desafios continentais como o nosso.

Pelo mundo afora, principalmente em relação aos negócios cujo principal ativo é o capital intelectual humano, o teletrabalho tem se revelado um forte aliado da alavancagem competitiva das empresas. Isso se deve à eliminação de uma série de custos fixos e variáveis com a mobilização de espaços e recursos para acomodar os empregados, além do fator motivacional, que é de suma relevância para libertar o potencial produtivo do colaborador.

Com o teletrabalho, o trabalhador obtém um empoderamento e um ganho de autonomia que se somam ao ganho de tempo e de qualidade de vida. Dessa forma, tendemos a recobrar os ânimos, o que potencializa a nossa motivação para o trabalho. No caso de metrópoles como Rio e São Paulo, saber que não será necessário ficar, em média, duas horas por dia de sua vida retido num engarrafamento não só é saudável para o indivíduo, mas também para a mobilidade urbana, que vê a sua melhoria gradual pela redução dos deslocamentos que as pessoas fazem dentro da conurbação durante o dia.

No entanto, para que o teletrabalho seja um aliado à competitividade das empresas e da qualidade de vida da população, alguns requisitos são essenciais, dentre os quais se destacam:

  1. A existência na organização de uma cultura voltada para resultados pelas pessoas;
  2. A existência de um planejamento institucional, no qual estão claramente definidos e comunicados os objetivos e metas que a organização almeja alcançar;
  3. A existência de um sistema de medição do desempenho organizacional que dê suporte à implementação do teletrabalho;
  4. O estabelecimento de um processo de avaliação de desempenho individual que seja aderente ao sistema de medição do desempenho organizacional e que sirva de referência para aferição dos resultados produzidos pelo colaborador; e
  5. Constância de propósito na construção de resultados pelas pessoas, pois o sucesso de uma empreitada não é fruto de um único resultado, e sim do hábito.

Fica a dica para as empresas que buscam maneiras econômicas de melhorar resultados e para gestores públicos que zelam, de fato, pelo bem-estar de seus administrados.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

Fonte: Administradores.com.br
Link: http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/teletrabalho-tabu-ou-questao-sociocultural/93881/