Tecnologia: a missão é identificar as áreas em que as inovações sociais e políticas são necessárias

Um homem da época da primeira revolução tecnológica, olhando para os de hoje em dia, com certeza acharia as atuais instituições sociais e políticas bastante familiares; afinal, não diferem muito das que ele e seus contemporâneos conceberam

Conscientes de que se está vivendo no meio de uma revolução tecnológica, fica cada vez mais uma preocupação com o seu significado para o indivíduo e o seu impacto sobre a liberdade, a sociedade e as instituições políticas. Lado a lado com promessas messiânicas de utopia a serem introduzidas pela tecnologia, encontram-se graves ameaças de escravidão do homem, isolamento de si mesmo e da sociedade e destruição de todos os valores humanos e políticos.

Por mais impressionante que seja a explosão tecnológica de hoje, ela não supera a primeira revolução tecnológica que marcou a vida humana há sete mil anos, quando a primeira grande civilização da humanidade, a civilização fluvial, se consolidou. Primeiro na Mesopotâmia, depois no Egito e no Rio Indo, e finalmente na China, surgiu uma nova sociedade, um novo regime, a cidade fluvial, que logo se tornou um império. Nenhuma outra mudança no estilo de vida do homem e em seus meio de subsistência, nem as mudanças de hoje, revolucionaram tanto a sociedade humana. Aliás, as civilizações fluviais marcaram o início da historia talvez somente porque marcaram o início da escrita.

A era das civilizações fluviais foi predominantemente uma era de inovação tecnológica. Até um passado recente – o século dezoito – , não havia inovação tecnológica comparável, em alcance e extensão, àquelas primeiras mudanças na tecnologia, nas ferramentas e processos. Aliás, a tecnologia do homem permaneceu essencialmente inalterada até o século dezoito, no que diz respeito ao impacto na vida humana e na sociedade.

A era das civilizações fluviais, contudo, não foi apenas uma das principais eras da tecnologia. Ela representa também a era mais produtiva e importante em termos de inovação social e política. O historiador das ideias tende a voltar à Grécia antiga, aos profetas do Antigo Testamento ou à China da primeiras dinastias em busca das fontes de crenças que ainda movem a humanidade até hoje. Só que as principais instituições sociais e políticas antecedem a filosofia política em milhares de anos. Todas foram concebidas e estabelecidas nos primórdios das civilizações fluviais. Qualquer pessoa interessada na história das civilizações sociais e governamentais, e na história dos processos sociais e políticos, terá de voltar à era daquelas primeiras cidades fluviais. Graças ao trabalho de arqueólogos e linguistas nos últimos cem anos, há cada vez mais informações a respeito das civilizações fluviais e é possível sempre recorrer a elas para entender a relação da Antiguidade com a sociedade moderna, uma vez que as instituições sociais e políticas atuais, praticamente sem exceção, foram criadas e estabelecidas nesta época. Seguem alguns exemplos:

1) A cidade fluvial foi a primeira a estabelecer o governo como uma instituição distinta e permanente. Instituiu um governo com uma estrutura hierárquica nítida, em que logo se manifestou a verdadeira burocracia – fator que possibilitou que as cidades fluviais se tornassem impérios fluviais. Algo ainda mais básico: a cidade fluvial foi a primeira a conceber o homem como cidadão, indo além das estreitas fronteiras da tribo e do clã, e reunindo pessoas de origem e raças muito diferentes numa única comunidade. Para isto, foi necessário criar a primeira divindade supratribal, o deus da cidade. Também foi preciso fazer uma distinção, pela primeira vez na história, entre costumes / leis e o desenvolvimento de um sistema legal de códigos impessoal e abstrato. Aliás, praticamente todos os conceitos legais, sejam referentes a leis criminais ou civis, remontam às cidades fluviais. O primeiro grande código civil, o de Hamurabi, que já tem quatro mil anos, ainda se aplicaria a diversas empresas de advocacia da sociedade industrial altamente desenvolvida de hoje.

A cidade fluvial também foi a primeira a desenvolver um exército permanente – não havia outra opção, pois os agricultores eram pessoas indefesas, vulneráveis e, acima de tudo, sedentárias. A primeira cidade fluvial que teve superávit na história da humanidade graças à tecnologia era um alvo atraente para os bárbaros, as tribos nômades do deserto e das espetes. E com o exército surgiram tecnologia e equipamentos específicos de guerra: o cavalo de batalha, o carro de combate, o lança, o escudo, a armadura e a catapulta.

2) Foi na cidade fluvial que as classes sociais se desenvolveram pela primeira vez. Precisava-se de gente permanentemente envolvida na produção agrícola que alimentava toda a cidade; precisava-se de agricultores. Precisava-se de soldados para defendê-los. E precisava-se de uma classe governante com conhecimento, isto é, uma classe sacerdotal. Até o fim do século dezenove, estes três bens enda eram considerados básicos da sociedade. Este tema é aprofundado no livro Oriental Despotism: A Comparative Study of Total Power ( New Haven, Conn., de mil novecentos e cinquenta e sete ).

Ao mesmo tempo, porém, a cidade fluvial dedicava tempo à especialização da mão de obra, resultando no surgimento de diversos artífices – oleiros, tecelões, artesãos de metal etc. – e de profissionais liberais – escribas, advogados, juízes e médicos.

Como produzia mais do que consumia, registrou o primeiro caso de negociações organizadas, o que atraiu não só comerciantes, mas também dinheiro e crédito, além de ter sido criada uma lei de proteção ao estrangeiro, o negociante que vinha de longe. Isto, a propósito, fez surgir a necessidade de criar leis de relações internacionais. Aliás, não existe muita diferença entre os tratados internacionais do século dezenove e os tratados dos impérios fluviais da Antiguidade.

3) A cidade fluvial foi a primeira a organizar e institucionalizar o conhecimento. Como era necessário possuir conhecimento para construir e manter os complexos trabalhos de engenharia que regulavam o abastecimento de água e como precisava administrar complicadas transações econômicas por muitos anos e de uma área de milhares de quilômetros, a cidade fluvial necessitava de cigarros, o que, evidentemente, significava escrita. Necessitava de dados astronômicos, à medida que dependia do calendário. Necessitava de meios de navegação por mar ou terra. Tinha, portando, de transformar as informações requeridas e seu processamento em conhecimento compreensível e ensinável. Como resultado, a cidade fluvial foi responsável pelo desenvolvimento das primeiras escolas e dos primeiros professores. Foi pioneira também na observação sistemática dos fenômenos naturais – aliás, a primeira visão da natureza como algo externo e diferente do homem, governado por leis próprias e independentes.

4) Por fim, a cidade fluvial criou o indivíduo. Fora da cidade, como ainda se vê nas comunidades tribais que sobreviveram até a era atual, só existia a tribo. O homem como indivíduo não era visto ou considerado. Nas cidades fluviais da Antiguidade, porém, o indivíduo tornou-se, por necessidade, o ponto focal. E nesta esteira surgiram não só a compaixão e o conceito de justiça, mas as artes como hoje se as conhece, os poetas e, mais tarde, as religiões e os filósofos.

Estas descrições, evidentemente, são apenas um esboço. O objetivo é se ter uma ideia da magnitude das inovações sociais e políticas que estavam por trás da criação das civilizações fluviais. A intenção é mostrar que as cidades fluviais eram, em essência, modernas, se for entendido o termo, e que, até hoje, a história baseou-se nas fundações estabelecidas há mais de cinco mil anos. Aliás, seria possível afirmar que a história da humanidade nos últimos cinco mil anos foi, em grande parte, uma expansão das instituições sociais e políticas das cidades fluviais a áreas cada vez maiores, isto é, a todas as áreas do planeta onde há abastecimento de água para o cultivo do solo. Em seus primórdios, a cidade fluvial era o oásis de um mundo nômade e tribal. Em mil e novecentos, o mundo nômade e tribal havia se tornado exceção.

A civilização fluvial baseava-se diretamente numa revolução tecnológica. Seria possível chamá-la, sem medo de exagero, de Estado tecnológico. Todas as suas instituições foram respostas a oportunidades e desafios oferecidos pela nova tecnologia. Todas as suas instituições visavam, acima de tudo, a tornar a nova tecnologia produtiva.

Uma digressão:

A história das civilizações fluviais ainda não foi escrita. Existe enorme quantidade de material disponível hoje em dia sobre o assunto. Há cem anos, havia, no máximo, alguns fragmentos. Há também maravilhosas discussões sobre esta ou aquela civilização fluvial, como, por exemplo a da Suméria. No entanto, a missão hercúlea de recriar esta grande realização da humanidade e de contar a história da primeira grande civilização ainda não foi cumprida.

Este deveria ser um trabalho para os historiadores da tecnologia, como Peter Ferdinand Drucker já naquela época professava ser. No mínimo, é necessário um historiador que tenha muito interesse pela tecnologia e verdadeiro conhecimento do assunto. O tema central em torno esta história terá de ser escrita devem ser os impactos e as funções da nova tecnologia e as oportunidades e desafios que a primeira grande revolução tecnológica apresentou. As instituições sociais, políticas e culturais, por mais familiares que sejam hoje em dia – porque são, em grane medida, as instituições com as quais convive-se por cinco mil anos – , eram todas novidades na época e todas resultado da nova tecnologia e das tentativas de solucionar os problemas ocasionados por esta tecnologia.

A argumentação de Drucker na Society for the History of Technology é que a história da tecnologia representa um elemento fundamental na grande trama da história humana. Acredita-se que a história da humanidade não tem como ser adequadamente compreendida sem uma relação com a história do trabalho e das ferramentas humanas, isto é, a história da tecnologia. Alguns dos colegas e amigos de Drucker Lewis Mumford, Fairfield Osborn, Joseph Needham, R. J. Forbes, Cyril Stanly Smith LynnWhite – demonstraram brilhantemente, em seus próprios trabalhos, o profundo impacto da tecnologia na histórica política, social, econômica e cultural. Contudo, embora as mudanças tecnológicas sempre tenham influenciado a forma de viver e trabalhar, em nenhuma outra época a tecnologia influenciou tão diretamente a civilização e a cultura como no período da primeira revolução tecnológica, isto é, durante o surgimento das antigas civilizações fluviais.

Só agora, porém, é possível contar a história. Não há mais como ignorá-la, pois os fatos estão disponíveis. E agora, como também vive-se numa revolução tecnológica, há a capacidade de compreensão o que aconteceu na época – nos primórdios da história. Há um grande trabalho pela frente: mostrar que a abordagem tradicional da história – a abordagem que se ensina na escola – , em que a história relevante começa com os gregos ( ou as dinastias chinesas ), é limitada e não abarca a verdadeira civilização antiga.

Mas houve uma pequena fuga ao tema. A questão colocada no início – o que se pode aprender com a primeira revolução tecnológica em termos de prováveis impactos na humanidade, na sociedade e no governo a partir da nova revolução industrial, a que se está vivenciando no momento. Será que a história da civilização fluvial mostra que o homem é determinado, dominado e coagido por suas realizações técnicas? Ou mostra que o homem é capaz de usar a tecnologia em proveito próprio, dominando as ferramentas que ele mesmo criou?

A resposta que as civilizações fluviais dão a esta pergunta divide-se em três pontos:

1) Sem sombra e dúvida, as grandes mudanças tecnológicas criam a necessidade de inovação social e política, tornando obsoletas as estruturas institucionais vigentes e exigindo novas formas de organização da comunidade, da sociedade e do governo. neste sentido, pode-se afirmar que as mudanças tecnológicas de caráter revolucionário coagem, pois demandam inovação.

2) A segunda resposta também envolve uma forte necessidade. Não restam dúvidas, concluir-se-ia ao analisar as civilizações fluviais, de que mudanças tecnológicas específicas requerem inovações sociais e políticas igualmente específicas. O fato de que as instituições básicas das cidades fluviais do Velho Mundo, apesar de grande diferença cultural, possuíam diversas semelhanças entre si não prova muita coisa. Afinal de contas, devia haver muita difusão cultural na época ( independentemente de se ter entrado ou não no mérito de debater se foi a Mesopotâmia ou a China que inovou primeiro ). No entanto, o fato de as civilizações fluviais do Novo Mundo – em torno do Novo México e da península de Iucatã – , apesar de culturalmente independentes, terem desenvolvidos, milênios depois, instituições em essência muito parecidas com as do Velho Mundo ( por exemplo, um governo organizado, com classes sociais e um exército permanente, além da escrita ) seria forte evidência de que as soluções para as condições criadas pela nova tecnologia têm de ser específicas e são, portanto, limitadas em número e abrangência.

Em outras palavras, uma lição a ser aprendida com a primeira revolução tecnológica é que a nova tecnologia cria o que um filósofo da história poderia chamar de realidade objetiva. E a realidade objetiva tem de ser estudada em seus próprios termos. Tal realidade seria, o exemplo, a transformação do espaço humano, ao longo da primeira revolução tecnológica, de habitat para assentamento, isto é, uma unidade territorial permanente que sempre estará no mesmo lugar – ao contrário dos rebanhos migratórios dos pastores ou dos campos de caça das tribos primitivas. Só isto já inviabilizava a existência das tribos e demandava um governo fixo, impessoal e poderoso.

3) As civilizações fluviais, entretanto, podem ensinar também que a realidade objetiva determina somente os parâmetros gerais das soluções – determina onde, e em que aspecto, as novas instituições são necessárias. Nada é inevitável. A questão de como os novos problemas serão atacados – qual o propósito e os valores das novas instituições – fica em aberto.

Nas civilizações fluviais do Novo Mundo, o conceito de indivíduo, por exemplo, não tinha força. estas civilizações, até onde se sabe, nunca conseguiram separar a lei de costume nem inventaram o dinheiro, apesar das transações bastante desenvolvida.

Mesmo no Velho Mundo, onde uma civilização fluvial podia aprender com as outras, havia grandes diferenças. As civilizações fluviais não eram homogêneas, embora tivessem tarefas similares a realizar, desenvolvendo instituições semelhantes para isto. As diferentes respostas específicas expressavam, acima de tudo, diferentes formas de enxergar propósitos e valores.

O surgimento de um governo burocrático impessoal foi imperativo, caso contrario estas civilizações não teriam dado certo. No Oriente Médio, porém, ficou evidente, desde os primeiros estágios, que um governo destes poderia servir tanto para explorar quanto para reprimir o homem comum, além de estabelecer justiça para todos e proteção para os fracos. Desde o início, o governo no Oriente Médio viu-se envolvido com uma decisão ética crucial. No Egito, contudo esta decisão nunca foi considerada. A questão do propósito do governo nunca foi levantada. E o principal objetivo do governo da China não era a justiça, mas a harmonia.

Foi no Egito que o conceito de indivíduo surgiu pela primeira vez, como testemunha a grande quantidade de escritos, pinturas, estátuas de profissionais – escribas e administradores, por exemplo – que chegou até a civilização atual, a maioria totalmente consciente da singularidade do indivíduo, declarando abertamente sua primazia. No Egito, por exemplo, há o registro dos novos nomes dos arquitetos igualmente importantes que construíram os castelos e palácios de Assur e da Babilônia, muito menos dos primeiros arquitetos da China. Mesmo assim, o Egito suprimiu a noção de indivíduo após um curto período de tempo, durante o qual floresceu 9 talvez como parte da reação contra as perigosas heresias de Akenaton ). Não há vestígios de indivíduos nos registros do Médio Império e do Novo Império, o que talvez explique sua relativa esterilidade.

Nas outras áreas, surgiram duas abordagens básicas completamente diferentes. Uma, a da Mesopotâmia e dos taoistas, pode-se chamar de personalismo, a abordagem que encontra sua maior expressão nos últimos profetas hebreus e nos dramaturgos gregos. Neste texto, a ênfase está em desenvolver ao máximo as capacidades do indivíduo. Na outra abordagem – pode-se chamá-la de racionalismo, ensinada e exemplificada principalmente por Confúcio – , o objetivo é a moldagem do indivíduo de acordo com ideais de retidão e perfeição preestabelecidos. Não é necessário sequer dizer que estas duas abordagens permeiam a atual forma de pensar em relação à educação de hoje.

Outro exemplo são as forças armadas. As civilizações fluviais tiveram de desenvolver um sistema de defesa organizado, mas surgiram três abordagens diferentes: uma classe militar isolada, apoiada por meio de tributos cobrados à classe produtiva, os agricultores; a milícia, saída da própria classe camponesa; e os mercenários. Não foi resta muita dúvida de que, desde o início, todos sabiam que cada uma destas três abordagens teria consequências políticas bastante evidentes. Não foi por coincidência que o Egito, destronando líderes locais insignificantes, nunca desenvolveu uma classe militar profissional permanente.

Até a estrutura de classes, embora comum a todas as civilizações fluviais, mostrava grandes diferenças dependendo da cultura e da época. Era usada para criar castas permanentes e completa imobilidade social, mas também servia para criar alto grau de mobilidade social e considerável número de oportunidades para quem possuía talento e ambição.

Considere-se a ciência. Sabe-se agora que nenhuma civilização antiga superou a China em termos de qualidade e quantidade de observações científicas. No entanto, sabe-se também que a cultura chinesa original não revelou algo que poderia ser chamado de ciência. Talvez por causa de seu racionalismo, os chineses evitam generalizações. E, por mais fantasiosas e especulativas que sejam, são as grandes generalizações do Oriente Médio e a matemática do Egito que apontaram o caminho á ciência sistemática. Os chineses, com seu elevado poder de observação, poderiam obter grande número de informações sobre a natureza, mas sua visão do universo permaneceu totalmente inalterada – em nítido contraste que serviu de base para a ascensão da Europa.

Em suma, a história da primeira revolução tecnológica da humanidade leva às seguintes conclusões:

1) As revoluções tecnológicas criam uma necessidade objetiva de inovações sociais e políticas. Criam também a necessidade de identificação áreas em que as novas instituições são necessárias e as velhas estão se tornando obsoletas.

2) As novas instituições têm de estar de acordo com as novas necessidades específicas. Existem respostas sociais e políticas certas em relação à tecnologia e respostas sociais e políticas erradas. Na medida em que somente uma resposta institucional acertada será eficiente, a sociedade e o governo são, em grande parte, limitados pela nova tecnologia.

3) No entanto, os valores que estas instituições tentam colocar em prática, seus propósitos humanos e sociais, e, talvez mais importante do que isto, a ênfase dada a um propósito em detrimento de outro, estão, em grande medida, dentro do controle humano. A estrutura óssea, a parte sólida da uma sociedade, é definida pelas tarefas que ela precisa cumprir. Mas o ethos da sociedade está nas mãos do homem e é muito mais uma questão de como, não de o que.

Pela primeira vez em milhares de anos, enfrenta-se novamente uma situação comparável ao que os remotos ancestrais do homem enfrentaram na época das civilizações fluviais. não é somente a velocidade da mudança tecnológica que cria a revolução, mas sua abrangência também. hoje em dia, como há sete mil anos, o desenvolvimento tecnológico de muitas áreas está ocorrendo em conjunto, gerando um novo ambiente humano, o que não aconteceu em nenhum outro período – somente entre a primeira revolução tecnológica e a revolução tecnológica que começou há mais de duzentos anos ( ainda em andamento ).

Está-se, portanto, diante da grande missão de identificar as áreas em que as inovações socais e políticas são necessárias; desenvolver instituições para as novas tarefas, instituições que atendam às novas necessidades e funções geradas pelas mudanças tecnológicas; e, por fim – a maior missão de todas – , fazer as novas instituições representarem os valores os valores defendidos, e possuírem propósitos que são considerados certos e sirvam à liberdade, á dignidade e às finalidades humanas.

Se um homem instruído daquela época da primeira revolução tecnológica – um profissional sumério, quem sabe, ou chinês – olhasse para os homens de hoje em dia, ficaria totalmente desconcertado com a atual tecnologia, mas com certeza acharia as atuais instituições sociais e políticas bastante familiares; afinal, até certo ponto elas não diferem muito das instituições que ele e seus contemporâneos conceberam. Com certeza ele daria um sorriso sardônico tanto para aqueles que preveem um paraíso tecnológico quanto para quem prevê um inferno de alienação, de desemprego tecnológico etc. Talvez murmurasse consigo mesmo: “Foi aí que eu entrei em cena.”. Mas para os homens de hoje, ele diria: “Um tempo como foi o meu e como o de vocês, um tempo de verdadeira revolução tecnológica, não é um tempo de exultação, mas também não é um tempo de desespero. É um tempo de trabalho e responsabilidade.”. Outras informações podem ser obtidas no livro Tecnologia, administração e sociedade; de autoria de Peter F. Drucker.

fonte: https://administradores.com.br/artigos/tecnologia-a-miss%C3%A3o-%C3%A9-identificar-as-%C3%A1reas-em-que-as-inova%C3%A7%C3%B5es-sociais-e-pol%C3%ADticas-s%C3%A3o-necess%C3%A1rias