Brasil é o país onde preços dos alimentos subiram mais depressa na pandemia, diz estudo

A parte mais pesada dessa conta ficou para a parcela mais vulnerável da população. Atualmente, três em cada dez brasileiros vivem algum nível de insegurança alimentar.

A alta no preço dos alimentos tem reduzido o poder de compra das famílias, e é um problema sentido no mundo todo.

Auxiliar de limpeza de um supermercado, no Brasil, Manuela está no epicentro de um desafio global: a inflação dos alimentos. Para ela, uma lista de compras cada vez menor.

“Antes, sempre a gente comprava mais. Hoje, é sempre menos, porque realmente subiu bastante”, relatou Manuela Leite Silva.

Parece extravagância. Em um ano, o quilo do arroz subiu quase 70%; o feijão preto, 51%; a batata, 47%; a carne, quase 30%; leite, 20%; e no óleo de soja alta de 87%.

“Itens que são a base do consumo do brasileiro, a base da subsistência das famílias brasileiras”, pontuou Maria Andréia Parente Lameira, pesquisadora do Ipea.

As prateleiras do mundo assistem a um salto no custo de tudo. Em seis anos, esse é o mais alto nível no preço dos alimentos.

A pressão vem do apetite da China, do alto custo de logística e matérias-primas, consumidas na produção, e do clima adverso.

Um estudo da Universidade de Oxford com dados do Banco Mundial mostrou que foi no Brasil onde os preços subiram mais depressa na pandemia.

“No Brasil, isso acabou sendo potencializado, e foi potencializado por conta do câmbio. O alimento que a gente produzia no país, parte dos produtores resolveram deslocar parte da sua produção para o mercado internacional porque gerava uma rentabilidade maior. E isso gerou um aumento médio do alimento maior do que aquele que a gente viu em outras economias mundiais”, explicou Maria Andréia.https://52a0791c5ebe93505bdcc49d921295bb.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

A escalada de preços no Brasil começa em maio de 2020, acelera de agosto a dezembro e ainda testa os limites do orçamento das famílias. A parte mais pesada dessa conta ficou para a parcela mais vulnerável da população.

No Brasil, quase triplicou o número de pessoas pobres ou extremamente pobres nos últimos seis meses. Hoje, três em cada dez brasileiros vivem algum nível de insegurança alimentar, ou seja, falta dinheiro para comprar comida.

A renda da água de coco secou. Ivonete sustenta a família com o que dá.

“Ovo e uma mistura mais barata que a gente vai comprando e é isso… Até verduras e legumes a gente diminuiu. Já teve uma época em que a gente não deixava faltar nada em casa. A gente teve que entrar numa nova realidade”, contou Ivonete de Oliveira da Silva, autônoma.

“Quando sobe o preço dos alimentos, a inflação dos pobres é mais alta do que a inflação média do brasileiro em geral. Então é duplamente problemático, pela perda do poder de compra que é reforçada pela redução do auxílio emergencial. Mas todos esses problemas são mais graves entre os mais pobres”, comentou Marcelo Neri, pesquisador do FGV Social.

fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/03/11/brasil-e-o-pais-onde-precos-dos-alimentos-subiram-mais-depressa-na-pandemia-diz-estudo.ghtml