Bitcoin: quem é quem na ‘guerra’ das criptomoedas (e como isso pode te afetar)

Há uma batalha sendo travada entre os guardiões do sistema financeiro internacional e os defensores das criptomoedas.

“É uma moeda de merda”, disse um tempo atrás o economista da Universidade de Nova York, Nouriel Roubini, se referindo ao bitcoin, a maior moeda digital do mundo.

O magnata Warren Buffett garantiu, por sua vez, que as criptomoedas são uma das piores bolhas de todos os tempos.

E o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, alertou há algumas semanas: “Compre se estiver preparado para perder todo o seu dinheiro”.

Entre os criptocéticos, também estão os ganhadores do Prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz, Paul Krugman e Robert Shiller, embora já não sigam profetizando que essas moedas vão desaparecer de uma vez só.

É que no último ano o mercado de criptomoedas cresceu, atingindo um valor total de mercado estimado em cerca de US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões). E continua a expandir independentemente de todas as regulamentações.

Ninguém tem o controle das criptomoedas — nenhum governo, nenhum banco central, nenhuma empresa.

Apesar disso, El Salvador tornou-se nesta semana o primeiro país do mundo a adotar bitcoin como moeda corrente.

Como funcionam com uma tecnologia descentralizada, chamada blockchain, as transações de criptomoeda não requerem intermediários ou um organismo para validá-las.

Por meio de uma gigantesca rede de computadores com “nós” espalhados por todo o mundo, ele utiliza métodos criptográficos para proteger as informações contidas nas transferências de dinheiro e na criação de novas unidades.

Essa autonomia de funcionamento torna os milhões de dólares que circulam em suas redes difíceis de controlar e fiscalizar por parte de governos, bancos centrais e órgãos reguladores.

‘Estamos numa encruzilhada’

Do outro lado da frente de batalha, estão aqueles que promovem o uso das criptomoedas e estão convencidos de que sua expansão é inevitável.

Não apenas as veem como uma oportunidade de investimento lucrativa no longo prazo, mas como uma mudança de paradigma no sistema monetário internacional.

Eles acreditam que este mercado vai sacudir o mundo da política, da economia e das finanças.

“Estamos numa encruzilhada”, diz Javier Pastor, diretor comercial da plataforma de negociação de criptomoedas Bit2Me, em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

“As criptomoedas vão mudar o mundo da mesma forma que a internet mudou”, acrescenta ele, garantindo que estamos testemunhando o nascimento de uma nova etapa na história da evolução do dinheiro.

“O dinheiro que os bancos centrais imprimem infinitamente não valerá absolutamente nada em alguns anos. Ele morrerá diante da inovação tecnológica que são as criptomoedas”, afirma.https://77b9ba60f7d004749d976f61cf1723d5.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Um dos defensores mais famosos do bitcoin e das criptomoedas é Jack Dorsey, CEO do Twitter e do Square.

“O bitcoin muda tudo… para melhor”, ele tuitou. E em outra postagem, escreveu que nenhuma pessoa ou instituição “será capaz de mudá-lo ou detê-lo”.

Dorsey está tão convencido disso que, em 2018, declarou acreditar que o bitcoin será “a única moeda do mundo em 10 anos”.

E em janeiro deste ano, quando a Rede de Controle de Crimes Financeiros (FinCen, na sigla em inglês) propôs a criação de uma lei exigindo que as empresas informassem os nomes e endereços de pessoas que efetuam operações com criptomoedas acima de US$ 3 mil para monitorar transações ilícitas, Dorsey se opôs em uma carta aberta.

Changpeng “CZ” Zhao, CEO da Binance, a maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo em termos de volume de transações, alertou há alguns dias que era impossível para uma entidade destruir o bitcoin e sua tecnologia subjacente, o blockchain.

“Não creio que alguém possa apagá-lo agora, visto que esta tecnologia, este conceito, está na cabeça de 500 milhões de pessoas”, argumentou ele na conferência virtual Consensus 2021 da CoinDesk.

Zhao acrescentou que os governos e organismos reguladores deveriam adotar a tecnologia blockchain e as criptomoedas — e que lutar contra elas é semelhante à rejeição ao modelo de negócios da Amazon no início dos anos 1990.

As criptomoedas não estão aqui para acabar com as finanças tradicionais ou moedas respaldadas pelos governos, mas para trazer mais “liberdade de dinheiro”.

‘Podem ameaçar a soberania monetária de qualquer país’

“Há pouco dinheiro no mercado de criptomoedas, e elas não representam uma ameaça ao sistema financeiro por enquanto”, diz à BBC News Mundo Josh Lipsky, diretor do Centro Geoeconômico da organização de análise internacional Atlantic Council, nos Estados Unidos.

No entanto, ele adverte que seu rápido crescimento em apenas alguns meses fez com que se tornassem mais importantes.

“Em um ano poderemos ver uma expansão maior do mercado de criptomoedas. É por isso que as entidades reguladoras em todo o mundo estão pensando sobre que tipo de novas normas podem ser necessárias”, afirma Lipsky.

O maior risco das criptomoedas é que “podem ameaçar a soberania monetária de qualquer país”, diz o assessor sênior da ex-diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

“Se você, como banco central, não sabe quanto dinheiro foi gasto e transferido em seu país, isso tem implicações enormes para sua política monetária e sobre como você mede a inflação e as taxas de juros. Até mesmo como legisladores e governos definem sua política fiscal”, acrescenta.

“Todos os países deveriam estar preocupados com a perda de soberania monetária. Não podem perder o controle de quanto dinheiro se imprime e se gasta.”

Projetando o cenário futuro, Lipsky acredita que os governos vão criar suas próprias moedas digitais e estas vão competir no mercado com as criptomoedas.

Com essa perspectiva, o pesquisador acredita que o mercado de moedas digitais deveria ser regulamentado para proteger as pessoas de golpes e garantir que o dinheiro seja usado para os fins adequados.

O ataque dos governos e bancos centrais

Nos Estados Unidos, a discussão está aberta.

“São realmente meios para especulação”, afirmou Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), o Banco Central americano, em meados de abril.https://77b9ba60f7d004749d976f61cf1723d5.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“O funcionamento eficaz da nossa economia exige que as pessoas tenham fé e confiança não apenas no dólar, mas também nas redes de pagamento, nos bancos e em outros prestadores de serviços de pagamento que permitem que o dinheiro flua diariamente”, acrescentou.

Estes comentários se somam ao que a secretária do Tesouro, Janet Yellen, havia expressado anteriormente quando se referiu ao bitcoin como “um ativo altamente especulativo” e uma “forma extremamente ineficiente de realizar transações”.

Há poucos dias, Gary Gensler, presidente do SEC, principal órgão regulador financeiro dos EUA, alertou os legisladores assegurando que as moedas digitais levantam questões importantes de política e proteção aos investidores, no que alguns interpretaram como uma possível supervisão mais rígida durante o governo do presidente Joe Biden.

“Espero trabalhar com outros reguladores e com o Congresso para preencher as lacunas de proteção ao investidor nesses mercados de criptomoedas”, sinalizou Gensler.

A nível global, os bancos centrais começaram a se manifestar.

Conhecido como o “banco dos bancos centrais”, o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), com sede na Suíça, deixou claro que está em guerra contra as criptomoedas.

“Os investidores devem estar cientes de que o bitcoin pode muito bem colapsar por completo”, declarou Agustín Carstens, gerente geral do BIS, no fim de janeiro.

O bitcoin é intrinsecamente arriscado, ele acrescentou, e apenas os bancos centrais deveriam emitir moedas digitais.

A reviravolta de Wall Street

Embora alguns ainda pensem que as criptomoedas foram criadas com o único propósito de serem usadas por criminosos que vendem armas e drogas ilicitamente, sua rápida adoção pelo mundo financeiro no último ano deu a elas um reconhecimento mais amplo como instrumento de investimento.

A cada dia que passa, novas figuras de peso entram no jogo, como os gigantes dos bancos de investimento Goldman Sachs, JP Morgan e Morgan Stanley, que abriram as portas para criptomoedas.

Na verdade, o Morgan Stanley se tornou o primeiro dos grandes bancos americanos a oferecer acesso a fundos de bitcoin a seus clientes em meados de março.

E, no fim de maio, Mathew McDermott, chefe de Ativos Digitais do Goldman Sachs, declarou que “o bitcoin agora é considerado um ativo para se investir”.

“É raro podermos testemunhar o surgimento de uma nova classe de ativos”, acrescentou ele.

Entre aqueles que não são muito entusiastas das criptomoedas, está Raymond Dalio, fundador do Bridgewater Associates, o maior fundo de capital de risco do mundo.

No fim de maio, ele disse em uma conferência de negócios que tinha “alguns” bitcoins, mas advertiu que os governos têm a “capacidade de controlar” as criptomoedas.

“Eles sabem onde estão e o que está acontecendo”, afirmou.

Por outro lado, outros investidores como Cathie Wood, fundadora da Ark Investments, insistem que as autoridades “não podem detê-las”.

Outro criptocético é Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior empresa de gestão de ativos do mundo.

Ele disse que sua empresa está acompanhando a evolução do mercado de criptomoedas, mas que ainda é muito cedo para determinar se as criptomoedas são “apenas uma ferramenta especulativa”.

O que não é segredo é que as companhias que movimentam o maior volume de capital criaram equipes dedicadas exclusivamente a analisar o comportamento deste mercado que, durante a pandemia, registrou um crescimento explosivo.

Volatilidade extrema

A verdade é que o bitcoin é tão explosivo quanto volátil. Em abril, bateu seu recorde histórico quando o preço disparou para US$ 64.870.

Mas em um mês perdeu metade de seu valor em uma forte queda impulsionada por dois grandes golpes.

Primeiro, o comunicado de Elon Musk, CEO da Tesla, em meados de maio, que anunciou que não receberá bitcoin como forma de pagamento por seus carros devido ao impacto ambiental atrelado à geração de criptomoedas.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Este argumento se baseia no fato de que a mineração de bitcoins requer um consumo gigantesco de energia para operar os poderosos computadores necessários para obter novas moedas.

E o problema é que grande parte dessa energia vem de combustíveis fósseis que são prejudiciais ao meio ambiente.

O segundo golpe veio alguns dias depois, quando o governo chinês impôs novas regulamentações às transações com criptomoedas.

O preço chegou a cair para cerca de US$ 30 mil, embora nos dias seguintes tenha recuperado parte das perdas.

Alguns especialistas afirmam que estes ciclos de ascensão e queda continuarão por muito tempo e, portanto, aqueles que investem pensando que podem ficar ricos rapidamente correm o risco de ir à falência.

‘Para o bem ou para o mal, uma nova era econômica se aproxima’

Além da especulação e da extrema volatilidade das criptomoedas, a pergunta que muitos fazem é o quão profunda pode ser a mudança resultante da eventual adoção dessas moedas.

Entre os mais ferrenhos defensores do bitcoin, conhecidos como “cripto evangelistas”, estão pessoas de todo o espectro político, dos mais conservadores aos rebeldes antissistema.

Steve Forbes, presidente e editor-chefe da Forbes Media e duas vezes candidato às primárias republicanas nos EUA, tem sido enfático.

“Está se formando uma história muito maior, que abalará o mundo da política, da economia e das finanças: a tentativa dos governos e bancos centrais de esmagar as moedas digitais com impostos e regulamentações”, declarou em um podcast.

“Os políticos e bancos centrais lutarão ferozmente para preservar seus monopólios monetários”, acrescentou. “No final, os monopolistas do dinheiro serão derrotados.”

“Para o bem ou para o mal, uma nova era econômica se aproxima.”

Esta nova era, se chegar a se materializar, mudará os sistemas monetários modernos que marcaram a história recente.

Sistemas que incluem o padrão-ouro (em que o dinheiro era garantido por reservas de ouro); o modelo criado em Bretton Woods após a Segunda Guerra Mundial; e o sistema atual, criado em 1971, em que o valor das taxas de câmbio é determinado pelas flutuações do mercado cambial.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Mas garantir que as criptomoedas vão mudar o sistema monetário que regeu o mundo na última metade do século… são palavras fortes.

Embora mudanças possam acontecer, especialistas concordam que é altamente provável que o sistema monetário atual evolua em resposta a um mundo com novos equilíbrios de poder (como a ascensão vertiginosa da economia chinesa) e a inovação tecnológica que o blockchain representa.

fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/06/10/bitcoin-quem-e-quem-na-guerra-das-criptomoedas-e-como-isso-pode-te-afetar.ghtml

Dólar opera em queda de olho em dados de inflação dos EUA

Dólar opera em queda de olho em dados de inflação dos EUA

dólar opera em queda nesta quinta-feira (10), após dados de inflação nos Estados Unidos acima do esperado.

Às 10h35, a moeda norte-americana caí 0,30%, a R$ 5,0533. Veja mais cotações.

Na quarta-feira, o dólar fechou em alta de 0,67%, a R$ 5,0687. Com o resultado, as moedas norte-americanas acumulam recuo de 2,98% no mês e de 2,28% no ano.

O Banco Central fará neste pregão leilão de swap tradicional para rolagem de até 15 mil contratos com vencimento em dezembro de 2021 e março de 2022.https://datawrapper.dwcdn.net/Srvf4/109/

Cenário

O Departamento do Trabalho informou nesta quinta-feira que seu índice de preços ao consumidor subiu 0,6% em maio, acima do esperado pelo mercado. Em 12 meses, o índice acelerou a 5%, maior alta anual desde agosto de 2008 e após 4,2% em abril.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Por outro lado, o número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego caiu pela sexta semana seguida, para o nível mais baixo em quase 15 meses.

O Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) anunciará sua decisão de política monetária na próximo dia 16. O chair do Fed, Jerome Powell, tem afirmado repetidamente que uma inflação mais alta será transitória.

Por ora, a avaliação é de que aceleração da inflação não deve ter impacto imediato na taxa de juros dos EUA. “Avaliamos que o Fed continuará com a retórica de inflação transitória a espera de dados mais fortes e contínuos sobre inflação e mercado de trabalho”, disse Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco Modalmais.

Na Europa, o Banco Central Europeu afirmou nesta quinta-feira que continuará a realizar suas compras de títulos emergenciais a um ritmo mais alto do que no início do ano. O BCE decidiu manter a sua taxa referencial em -0,5% e a orientação de que vai manter ou cortar os juros até que a inflação mostre convergência “robusta” para a meta.

Também permanece no radar dos mercados as expectativas em torno da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reunirá também na próxima quarta-feira.

Entre os fatores que têm ajudado a moeda brasileira nas últimas semanas, vários especialistas apontam para a expectativa de juros domésticos mais altos, que foi reforçada pelos sinais de aceleração da inflação, que atingiu 8,06% em 12 meses até maio.

Um cenário doméstico de juros mais altos tende a favorecer o real, segundo especialistas, uma vez que torna investimentos locais atrelados à Selic mais atraentes para o investidor estrangeiro. A taxa de juros esta atualmente em 3,5% ao ano e a expectativa do mercado é que ela chegue a 5,75% no fim de 2021.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Variação do dólar em 2021 — Foto: G1

Variação do dólar em 2021 — Foto: G1

fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/06/10/dolar.ghtml

Bovespa tem leve alta e não se sustenta acima dos 130 mil pontos

Nesta quarta-feira, o principal índice da bolsa subiu 0,09%, a 129.907 pontos.

A bolsa de valores brasileira, a B3, fechou em leve alta nesta quarta-feira (9), após alta dos preços de commodities e dos futuros acionários norte-americanos, enquanto o noticiário doméstico traz dados de inflação acima das expectativas.

O Ibovespa subiu 0,09%, a 129.907 pontos. Veja mais cotações.

Na véspera, o Ibovespa caiu 0,76%, a 129.787 pontos, após oito seguidas, na maior série de ganhos desde 2018. Com o resultado de hoje, a bolsa acumulou avanço de 2,92% no mês e de 9,15% no ano.https://datawrapper.dwcdn.net/MHK8d/97/

Cenário

Pressionado pelo aumento da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial do país – ficou em 0,83% em maio, 0,52 ponto percentual acima da taxa de 0,31% registrada em abril.

O acumulado no ano foi de 3,22%, e o dos últimos 12 meses, de 8,06%, acima dos 6,76% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Com o resultado, a inflação permanece bem acima do teto da meta do governo para a inflação no ano – o centro da meta é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

A pressão inflacionária deve manter o Banco Central sob pressão, a uma semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa é de elevação da taxa Selic a 4,25% ao ano, ante patamar atual de 3,5%.

De acordo com a equipe da Guide Investimentos, a discussão em torno da persistência da inflação nos EUA segue se colocando como principal risco para os mercados, o que reforça o foco no índice de preços ao consumidor de maio na quinta-feira.

Na visão da equipe do BTG Pactual, com o Ibovespa no atual patamar, a seletividade das ações é preponderante, uma vez que a simetria risco versus retorno para determinadas empresas ficou elevada e sem fundamentos. “Continuamos otimistas e cautelosos, buscando apenas papéis muito seletos”, afirmou nota enviada a clientes pela área de gestão do banco.

Variação do Ibovespa em 2021 — Foto: G1 Economia

Variação do Ibovespa em 2021 — Foto: G1 Economia

fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/06/09/bovespa.ghtml

Na contramão do PIB, renda do brasileiro cai 10% com inflação em alta e desemprego recorde

Rendimentos devem continuar pressionados por mais tempo, diz economista da FGV.

O professor de música Ezequiel Moreira Franco Júnior, de 43 anos e morador de Belo Horizonte, ganhava entre R$ 1.500 e R$ 1.800 por mês antes da pandemia, dando aulas particulares de violão, flauta doce, pandeiro, técnica vocal e teoria musical.

Com a crise sanitária, Ezequiel viu o número de alunos minguar, mas em 2020, contou com o auxílio emergencial de R$ 600 para segurar as pontas. Esse ano, não foi contemplado pela ajuda do governo e está vivendo com R$ 360 que ganha dos alunos que lhe restaram e dependendo da família para se manter.

Formada em Moda, Design e Estilismo pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), a teresinense Adrilayne Cristina Machado Sousa, de 24 anos, tinha carteira assinada em seu emprego como produtora de moda em uma loja de roupas.

Nesse início de ano, teve seu contrato formal encerrado e foi recontratada como prestadora de serviço pela metade do salário, vendo sua renda cair de R$ 1.110 para pouco mais de R$ 500 de um dia para o outro.

Na casa de Cristina, sua mãe, professora em escola particular, também teve o salário reduzido, de pouco mais de um salário mínimo (cujo valor está em R$ 1.100 em 2021), para algo em torno de R$ 800. Com a perda de renda de mãe e filha, é o pai, técnico de eletrônica informal, que está mantendo a maior parte dos gastos da família, que foram diminuídos.

Ezequiel e Cristina são exemplos da realidade de muitos brasileiros neste início de 2021, marcado pela perda de renda dos trabalhadores, em meio à aceleração da inflação e desemprego recorde.

PIB em alta, renda em baixa

Segundo levantamento realizado por Daniel Duque, pesquisador do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), a renda média domiciliar per capita (por pessoa) dos brasileiros foi de R$ 1.065 no primeiro trimestre deste ano, uma queda de 10% em relação à média de R$ 1.185 de igual período de 2020. Esse foi o quarto trimestre seguido de queda da renda na comparação anual.

A maior redução foi registrada no segundo trimestre de 2020 – marcado pela primeira onda da pandemia no Brasil -, com retração de 12%. No terceiro e quarto trimestres do ano passado, o recuo foi idêntico: de 11%, sempre em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Neste início de ano, mesmo com o crescimento acima do esperado do PIB (Produto Interno Bruto) e com uma boa abertura de vagas formais, a queda da renda continuou.

A economia brasileira cresceu 1,2% entre janeiro e março, em relação ao quarto trimestre, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), acima do que era esperado pelos analistas. E foram abertas 837 mil vagas com carteira assinada, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia.

O levantamento do pesquisador do Ibre-FGV, realizado com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua do IBGE, considera o rendimento efetivamente recebido pelas pessoas em todos os trabalhos por elas exercidos.

Não considera, porém, outras fontes de renda, como benefícios sociais, aposentadorias e pensões e rendimentos de aluguel, pois esses dados só são divulgados pelo instituto oficial de pesquisa ao fim do ano fechado, com a publicação da Pnad Anual.

Para calcular a renda domiciliar per capita média, Duque levou em conta a soma dos rendimentos do trabalho, dividida pelo número de pessoas no domicílio.

Por que a renda segue em queda

“Como há muitas pessoas procurando emprego, isso diminui as pressões salariais”, observa Duque, sobre o efeito do excesso de oferta de mão de obra sobre os salários.

Apesar da forte criação de vagas formais nesse início de ano, o desemprego foi recorde no trimestre encerrado em março, com taxa de desocupação de 14,7% e um total de 14,8 milhões de pessoas desempregadas, segundo o IBGE. Essa aparente contradição acontece devido à discrepância na recuperação entre os mercados de trabalho formal e informal, um dos efeitos da pandemia do coronavírus.

Resultado das negociações salariais coletivas — Foto: BBC Brasil

Resultado das negociações salariais coletivas — Foto: BBC Brasil

“Há também o fato de que as empresas não estão reajustando salários acima da inflação pela própria situação delas, em decorrência da crise”, destaca o pesquisador.

Segundo o boletim Salariômetro da Fipe-USP (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo), de janeiro a abril deste ano, 61,6% das negociações salarias coletivas entre patrões e empregados resultaram em reajustes abaixo da inflação.

Um total de 25,4% dos acordos coletivos repuseram a alta de preços e apenas 13% das negociações resultaram em reajustes acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), indicador que é referência para os reajustes salariais.

“A aceleração da inflação é um outro fator importante. Por conta dela, os reajustes nominais não têm sido capazes de contrapor a variação dos preços”, diz Duque.

Até março, o INPC acumulou alta de 6,94% em 12 meses. E a situação piorou nos meses seguintes, com o índice acumulando avanço de 8,90% até maio, conforme divulgado na quarta-feira (09) pelo IBGE.

A inflação esse ano tem sido puxada pelo aumento de preços dos alimentos e combustíveis, devido à valorização das commodities, impulsionadas pela recuperação da economia global, com o controle da pandemia em outros países. Em maio, somou-se a esse quadro a alta das contas de luz, devido à seca histórica, que também deve afetar os preços da alimentação.

O economista reconhece que parte da queda da renda pode ter sido impactada pela mudança de composição da amostra da Pnad, que tem sido afetada pela migração da coleta dos dados de presencial para por telefone em meio à pandemia. Mas avalia que, dada a magnitude da retração, esse fator certamente não explica a totalidade da baixa.

O que aconteceu com a desigualdade?

Apesar da continuidade da queda dos rendimentos nesse início de 2021, a desigualdade da renda do trabalho teve uma pequena melhora, em relação ao pior momento para o indicador, registrado entre o segundo e terceiro trimestres do ano passado, observa o economista da FGV.

O Índice de Gini da renda do trabalho – uma medida de desigualdade que varia de zero a um, sendo zero a igualdade perfeita -, ficou em 0,670 no primeiro trimestre deste ano, abaixo do pico de 0,677 registrado no segundo trimestre de 2020. Apesar dessa ligeira melhora, o indicador segue muito acima do nível anterior à pandemia.

Desigualdade da renda do trabalho — Foto: BBC Brasil

Desigualdade da renda do trabalho — Foto: BBC Brasil

“Depois de aumentos bastante relevantes no segundo e terceiro trimestres do ano passado, estamos vendo uma desaceleração da desigualdade”, diz Duque.

Um dos fatores que explica essa dinâmica é o comportamento da renda dos trabalhadores formais e informais. No primeiro trimestre, a renda média dos formais caiu 3% em relação ao mesmo período de 2020, enquanto a dos informais aumentou 1%.

“Começa a haver um retorno dos trabalhadores informais, com mais horas trabalhadas”, observa Duque. “Por outro lado, como a renda dos formais é maior do que a dos informais, isso contribui para a queda que observamos na renda média geral.”

E o que esperar pela frente? Na desigualdade, o economista da FGV avalia que devemos observar à frente uma desaceleração adicional.

“Enquanto no mercado de trabalho do topo a situação está praticamente normalizada, ainda há espaço para o mercado de trabalho dos mais pobres melhorar um pouco mais”, afirma.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“Mas provavelmente não voltaremos rapidamente ao nível anterior à pandemia, porque, geralmente quando há um choque tão grande, ocorrem perdas não transitórias, com pessoas que talvez nunca voltem à renda anterior delas, que talvez nunca voltem a procurar emprego ou nunca mais encontrem uma vaga”, observa o economista.

“Choques transitórios muito fortes, mesmo que durem um curto período de tempo, podem ter um impacto permanente, de modo que podemos ter um efeito de longo prazo, em que não vamos conseguir retomar, pelo menos não na velocidade esperada, a situação do mercado de trabalho da população mais afetada, que foram os informais e os mais vulneráveis em geral.”

Se a desigualdade tende a melhorar, para a renda, a situação é mais problemática, diz Duque. Isso porque ainda há muita gente para ser reabsorvida pelo mercado de trabalho e as horas trabalhadas já estão quase no nível pré-pandemia. “Isso deve fazer com que o salário médio caia ainda mais, provavelmente, e depois ainda fique estagnado por um tempo”, prevê.

“A competitividade do mercado de trabalho está muito elevada”, observa o economista. “Isso faz com que a gente tenha uma trajetória da renda do trabalho provavelmente bastante ruim para os trabalhadores por muito tempo.”

Segundo Duque, o efeito macroeconômico disso já ficou evidente no PIB do primeiro trimestre, quando o consumo das famílias registrou uma queda de 0,1% em relação ao quarto trimestre do ano anterior e recuo de 1,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2020.

“Deve haver alguma melhora do consumo no segundo trimestre, devido à volta do auxílio emergencial”, acredita Duque. “Mas depois disso, podemos voltar para uma situação negativa, com as famílias tendo um menor rendimento do trabalho, que pode resultar em uma desaceleração do crescimento no segundo semestre, acompanhada do aumento da inflação.”https://1a9cc9fe40fc97b3b9db579cb04a6ea8.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

O professor Ezequiel e a produtora de moda Cristina compartilham do pessimismo do economista. Ambos dizem que não sentiram o aumento do PIB no primeiro trimestre nas suas vidas. “Isso para mim é ‘caô’ do governo para engambelar os incautos”, afirma o músico.

“Eu não senti esse crescimento da economia, muito pelo contrário”, diz Cristina. “As coisas para mim pioraram bastante, parece que a cada dia eu vivo mais no aperto.”

fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/06/10/na-contramao-do-pib-renda-do-brasileiro-cai-10-com-inflacao-em-alta-e-desemprego-recorde.ghtml

Ensino superior privado teve queda de 8,9% nas matrículas de cursos presenciais, indica pesquisa

No ensino a distância, houve crescimento de 9,8%. Levantamento aponta maior evasão entre universitários sem acesso a programas como Prouni e Fies, que ajudam alunos a cursar graduação em universidades privadas.

Em 2021, as matrículas em cursos presenciais de graduação no ensino superior privado tiveram queda de 8,9% e aumento de 9,8% na educação a distância, aponta a 11ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, divulgado nesta terça-feira (8) pelo Instituto Semesp.

Apesar da queda proporcional, as matrículas presenciais seguem sendo maioria no país, com 71,5% dos alunos neste tipo de graduação. O ensino superior privado continua concentrando as matrículas em graduação no país, com 75,8% dos universitários nestas instituições.

A taxa de escolaridade líquida segue abaixo do ideal. O número representa o percentual de jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior em relação ao total de pessoas na mesma faixa etária.

O mapa do Semesp traz que 18,1% destes jovens estavam cursando graduação, bem abaixo da meta do Plano Nacional de Educação, que estipula alcançar 33% desta população matriculada até 2024.

Para Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, o aumento de matrículas nos cursos EAD não está elevando a taxa de escolarização líquida do país. Isso ocorre porque essa os cursos EAD atraem pessoas mais velhas (acima de 24 anos).

Em relação às áreas, cursos das áreas de negócios, administração e direito lideram o número de matrículas; seguido por educação, e saúde e bem-estar.

Evasão

Os dados indicam maior taxa de evasão entre alunos que não contam com apoio para pagar as mensalidades, como o Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudos, e o Financiamento Estudantil (Fies), que oferece crédito para pagar mensalidades a juros zero ou reduzidos.

Evasão é quando os estudantes desistem de estudar. Em 2019, 26,2% dos estudantes que deixaram de fazer graduação não contavam com apoio do Fies e Prouni. Entre os alunos do Fies, a evasão foi de 6,4%. Do Prouni, 8,8%.

fonte: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2021/06/08/mesmo-antes-da-pandemia-ensino-superior-privado-teve-queda-de-89percent-nas-matriculas-de-cursos-presenciais-indica-pesquisa.ghtml

Mercado financeiro sobe estimativa de inflação para 5,04% em 2021 e vê alta maior do PIB

Meta central é de 3,75% e, pelo sistema em vigor, inflação será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Segundo relatório ‘Focus’, mercado prevê crescimento do PIB de 3,14%.

Os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa média de inflação em 2021 pela quarta semana seguida e também passaram a prever uma expansão maior da economia. As informações constam do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central (BC).

Os dados foram levantados na semana passada, em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras. Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, a expectativa do mercado para este ano subiu de 5,01% para 5,04%.

A previsão de inflação do mercado continua acima da meta central deste ano, de 3,75%, e se aproxima do teto do sistema de metas: 5,25%. Isso porque, pelo sistema atual, a inflação será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25% em 2021.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Para 2022, o mercado financeiro elevou de 3,60% para 3,61% a estimativa de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Produto Interno Bruto

No caso do Produto Interno Bruto de 2021, os economistas do mercado financeiro subiram a estimativa para o crescimento de 3,09% para 3,14%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Para 2022, o mercado baixou a previsão de alta do PIB de 2,34% para 2,31%.

A expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia da Covid-19, que tem afetado o nível de atividade da economia mundial.https://44873467bf1b6b1077aa12f329a889b4.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Taxa básica de juros

O mercado financeiro manteve em 5,50% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2021, o que embute novas altas na taxa de juros neste ano.

Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa básica da economia foi aumentada pelo BC para 2,75% ao ano.

Para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa para a taxa Selic de 6,13% para 6,25% ao ano, o que pressupõe alta maior do juro básico no próximo ano.

Outras estimativas

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2021 permaneceu em R$ 5,40. Para o fim de 2022, ficou estável também em R$ 5,40 por dólar.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2021 subiu de US$ 59 bilhões para US$ 64 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado avançou de US$ 54,55 bilhões para US$ 56,50 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 55 bilhões. Para 2022, a estimativa recuou de US$ 65 bilhões para US$ 61 bilhões.

fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/05/03/mercado-financeiro-sobe-estimativa-de-inflacao-para-504percent-em-2021-e-ve-alta-maior-do-pib.ghtml

Brasil é o país onde preços dos alimentos subiram mais depressa na pandemia, diz estudo

A parte mais pesada dessa conta ficou para a parcela mais vulnerável da população. Atualmente, três em cada dez brasileiros vivem algum nível de insegurança alimentar.

A alta no preço dos alimentos tem reduzido o poder de compra das famílias, e é um problema sentido no mundo todo.

Auxiliar de limpeza de um supermercado, no Brasil, Manuela está no epicentro de um desafio global: a inflação dos alimentos. Para ela, uma lista de compras cada vez menor.

“Antes, sempre a gente comprava mais. Hoje, é sempre menos, porque realmente subiu bastante”, relatou Manuela Leite Silva.

Parece extravagância. Em um ano, o quilo do arroz subiu quase 70%; o feijão preto, 51%; a batata, 47%; a carne, quase 30%; leite, 20%; e no óleo de soja alta de 87%.

“Itens que são a base do consumo do brasileiro, a base da subsistência das famílias brasileiras”, pontuou Maria Andréia Parente Lameira, pesquisadora do Ipea.

As prateleiras do mundo assistem a um salto no custo de tudo. Em seis anos, esse é o mais alto nível no preço dos alimentos.

A pressão vem do apetite da China, do alto custo de logística e matérias-primas, consumidas na produção, e do clima adverso.

Um estudo da Universidade de Oxford com dados do Banco Mundial mostrou que foi no Brasil onde os preços subiram mais depressa na pandemia.

“No Brasil, isso acabou sendo potencializado, e foi potencializado por conta do câmbio. O alimento que a gente produzia no país, parte dos produtores resolveram deslocar parte da sua produção para o mercado internacional porque gerava uma rentabilidade maior. E isso gerou um aumento médio do alimento maior do que aquele que a gente viu em outras economias mundiais”, explicou Maria Andréia.https://52a0791c5ebe93505bdcc49d921295bb.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

A escalada de preços no Brasil começa em maio de 2020, acelera de agosto a dezembro e ainda testa os limites do orçamento das famílias. A parte mais pesada dessa conta ficou para a parcela mais vulnerável da população.

No Brasil, quase triplicou o número de pessoas pobres ou extremamente pobres nos últimos seis meses. Hoje, três em cada dez brasileiros vivem algum nível de insegurança alimentar, ou seja, falta dinheiro para comprar comida.

A renda da água de coco secou. Ivonete sustenta a família com o que dá.

“Ovo e uma mistura mais barata que a gente vai comprando e é isso… Até verduras e legumes a gente diminuiu. Já teve uma época em que a gente não deixava faltar nada em casa. A gente teve que entrar numa nova realidade”, contou Ivonete de Oliveira da Silva, autônoma.

“Quando sobe o preço dos alimentos, a inflação dos pobres é mais alta do que a inflação média do brasileiro em geral. Então é duplamente problemático, pela perda do poder de compra que é reforçada pela redução do auxílio emergencial. Mas todos esses problemas são mais graves entre os mais pobres”, comentou Marcelo Neri, pesquisador do FGV Social.

fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/03/11/brasil-e-o-pais-onde-precos-dos-alimentos-subiram-mais-depressa-na-pandemia-diz-estudo.ghtml

O governo como sócio da inflação

 outro lado, corrói o poder de compra dos brasileiros – o IPCA registrou maior taxa para o mês de maio em 25 anos.

A alta de preços que corrói o poder de compra dos brasileiros — e que registrou em maio sua maior taxa para o mês em 25 anos — tem um efeito colateral que a equipe do ministro Paulo Guedes discretamente comemora: a redução da dívida pública como proporção do PIB. Depois de longo período em escalada explosiva, ela caiu de quase 90% no final do ano passado para 86,7% agora. O economista Alexandre Schwartsman reconhece o alívio, mas alerta: “Não é um processo sustentável. Queremos controlar a dívida para não ter inflação, não o contrário”. Em conversa com Renata Lo Prete, o ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central parte desse subproduto do quadro inflacionário para analisar outros elementos da conjuntura, como o crescimento de 1,2% no primeiro trimestre. Sem deixar de anotar o aspecto positivo desse resultado, ele pondera: “PIB dá manchete, mas o que vale é a percepção das pessoas na vida”. E essa ainda está longe de melhorar para a maioria, também por causa do desemprego elevado e persistente. Schwartsman comenta ainda o debate do momento, que busca avaliar a sustentabilidade e o alcance dos ganhos do novo ciclo virtuoso das commodities.

fonte: https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2021/06/10/o-assunto-470-o-governo-como-socio-da-inflacao.ghtml

Receita Federal atualiza Instrução Normativa sobre regularização de obras

Com nova publicação, quatro anexos de certidões de débitos foram incluídos

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Receita Federal publicou a Instrução Normativa RFB 2.028, de 31 de maio de 2021, alterando a IN RFB 2.021, publicada no mesmo ano, que trata da regulamentação das contribuições sociais incidentes sobre o valor da remuneração da mão de obra utilizada na execução de obras de construção civil e da instituição do Sero – Serviço Eletrônico para Aferição de Obras.

A nova Instrução Normativa substitui os anexos II a XI e inclui os anexos XII a XV com modelos de certidões negativas de débitos tributários relativos a obras de construção civil.

A alteração tornou-se necessária em razão da criação de quatro novos anexos de certidões de débitos e da padronização de formato dos campos ‘data e hora’ nos demais.

Veja aqui a notícia anterior sobre a regularização de obras de construção civil (Sero).

Para acessar a IN, clique aqui.

 Sero.

Sistema entra em vigor hoje, 1º de junho.

Serviço Eletrônico para Aferição de Obras traz mudanças na forma de regularizar as contribuições sociais relativas à construção civil e de obter a CND – certidão negativa de débitos – de obra entra em vigor hoje.

Para utilizar o Sero, a obra de construção civil precisa estar devidamente inscrita no Cadastro Nacional de Obras (CNO).

fonte: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2021/junho/receita-federal-atualiza-instrucao-normativa-sobre-regularizacao-de-obras

Receita Federal esclarece sobre situações de fraude no Auxílio Emergencial

Cidadão que teve seu CPF indevidamente utilizado para receber o Auxílio deve acessar a página na internet do Auxílio Emergencial (www.gov.br/auxilio) para obter orientações e fazer a reclamação online. O serviço também está disponível pelo telefone 121.

E

m atenção às notícias a respeito da verificação de fraude no recebimento do Auxílio Emergencial, identificados pela Declaração do Imposto de Renda, a Receita Federal esclarece que mantém constante integração e parceria com o Ministério da Cidadania com o objetivo de reduzir os impactos para o cidadão que teve seu CPF utilizado para o recebimento fraudulento do auxílio emergencial por terceiros.

Na página do Auxílio Emergencial (www.gov.br/auxilio), além das orientações para estes casos, também é apresentada uma opção de elaboração de reclamação online, para que o cidadão registre o fato e assim possam ser iniciadas as apurações pertinentes. O serviço também está disponível pelo telefone 121.

A partir do registro da reclamação e verificações preliminares, o Ministério da Cidadania comunica eletronicamente à Receita Federal do possível não recebimento do auxílio emergencial pelo próprio cidadão. Desta forma, o pagamento da devolução do referido auxílio deixa de ser emitido pela Declaração de Ajuste Anual do IRPF (DIRPF), bem como a declaração pelo contribuinte do recebimento do auxílio como rendimento tributável deixa de ser exigida pela Receita Federal nos controles pós-entrega (malha fiscal e fiscalizações).

fonte: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2021/junho/receita-federal-esclarece-sobre-situacoes-de-fraude-no-auxilio-emergencial